Durante décadas, os homens que chegavam à indicação cirúrgica por hiperplasia prostática benigna deparavam-se com uma realidade clínica incômoda: as técnicas disponíveis — eficazes para o alívio dos sintomas urinários — tinham impacto significativo sobre a ejaculação. A ejaculação retrógrada, em que o sêmen é direcionado para a bexiga em vez de ser expelido externamente, era um efeito esperado e aceito como inevitável na ressecção transuretral convencional. Para muitos homens, especialmente os mais jovens e os que ainda têm vida sexual ativa, esse trade-off era clinicamente relevante — e frequentemente adiava a busca por tratamento cirúrgico mesmo diante de sintomas significativos.
Como urologista especializado em cirurgia urológica minimamente invasiva em São Paulo, realizo os três procedimentos com maior evidência de preservação da função sexual e ejaculatória disponíveis atualmente para o tratamento da HPB: o Rezum, o UroLift e o Aquablation. Este artigo foi escrito para quem quer entender o que essas técnicas são, como se diferenciam entre si, para quem cada uma é indicada e o que a evidência científica demonstra sobre seus resultados.
Se você está em São Paulo e quer uma consulta presencial na Avenida Paulista, ou prefere iniciar com telemedicina disponível para todo o Brasil, saiba que a indicação de cada procedimento é sempre individualizada — definida a partir da avaliação clínica completa de cada paciente.
Por que a preservação ejaculatória importa clinicamente
A ejaculação retrógrada — principal impacto sobre a função sexual associado às técnicas cirúrgicas convencionais para HPB — ocorre quando a cirurgia compromete o mecanismo do colo vesical que impede o refluxo do sêmen para a bexiga durante a ejaculação. Embora não interfira na função erétil, ela modifica de forma significativa a experiência sexual do homem — eliminando a ejaculação anterógrada — e tem impacto direto sobre a fertilidade masculina, tornando a concepção natural inviável.
Para homens com desejo de paternidade futura ou para aqueles que valorizam a preservação da ejaculação como parte da qualidade de vida sexual, a escolha de uma técnica com perfil de preservação ejaculatória não é um detalhe secundário — é um critério clínico central na decisão terapêutica. As técnicas modernas discutidas neste artigo foram desenvolvidas justamente para oferecer alívio sintomático eficaz com menor comprometimento dessa função.
Rezum: termoablação com vapor d’água
O Rezum é o sistema que utiliza energia térmica transportada por vapor d’água para destruir células do tecido adenomatoso prostático que causa a obstrução. O procedimento é realizado por via transuretral, em regime ambulatorial, com anestesia local ou sedação leve.
O mecanismo de ação é direto: o vapor é injetado dentro do tecido prostático em pequenas doses, liberando energia térmica que causa necrose localizada das células adenomatosas. O tecido destruído é progressivamente absorvido pelo organismo nas semanas seguintes — resultando em redução do volume obstrutivo e melhora do fluxo urinário.
O destaque do Rezum em termos de função sexual é a preservação da ejaculação anterógrada — documentada em estudos clínicos controlados com seguimento de cinco anos, publicados nos principais periódicos urológicos internacionais. As taxas de ejaculação retrógrada com o Rezum são significativamente menores do que com a RTU-P convencional, e a função erétil é preservada na grande maioria dos pacientes.
A indicação preferencial do Rezum é para próstatas de volume de aproximadamente 30 a 80 gramas, com ou sem lóbulo médio. Próstatas de volume muito grande podem não ser as candidatas ideais para essa abordagem.
UroLift: reposicionamento mecânico do tecido prostático
O UroLift é uma abordagem radicalmente diferente das demais — ele não remove, não destrói nem trata termicamente o tecido prostático. Em vez disso, utiliza pequenos implantes permanentes para retratar mecanicamente os lóbulos prostáticos laterais que comprimem a uretra, abrindo o canal uretral de forma imediata e mantendo-o aberto por meio dos implantes fixados na parede prostática.
O procedimento é realizado em regime ambulatorial, com anestesia local, e tem o menor tempo de execução entre as três técnicas discutidas neste artigo. A recuperação é muito rápida — a maioria dos pacientes retoma as atividades em um a dois dias.
Do ponto de vista da função sexual, o UroLift tem a menor taxa de impacto ejaculatório entre todas as técnicas disponíveis para HPB — incluindo as minimamente invasivas. Isso o torna especialmente relevante para homens que priorizam a preservação da ejaculação e que se encaixam no perfil anatômico de indicação.
A indicação preferencial do UroLift é para próstatas de volume de até aproximadamente 80 gramas, sem lóbulo médio proeminente — a presença de lóbulo médio é uma limitação técnica para essa abordagem. Também é especialmente considerado em homens com maior risco anestésico que se beneficiam de um procedimento com mínima demanda de sedação.
Aquablation: ablação por jato de água guiada por imagem
O Aquablation é a técnica mais recente entre as três e a que oferece maior flexibilidade em termos de volume prostático e anatomia glandular. Utiliza um jato de água de alta pressão — fria, sem energia térmica — guiado por ultrassonografia transretal em tempo real para realizar a ablação do tecido adenomatoso de forma precisa e controlada.
A combinação de guia por imagem em tempo real com ablação por jato de água permite que o sistema mapeie e trate a zona de transição prostática — onde se localiza o tecido adenomatoso — com precisão milimétrica, preservando a cápsula prostática e as estruturas adjacentes responsáveis pela função ejaculatória.
Os estudos clínicos com o Aquablation demonstram taxas de preservação ejaculatória comparáveis ao Rezum e superiores às técnicas convencionais, com eficácia funcional robusta e aplicabilidade a uma faixa mais ampla de volumes prostáticos — incluindo próstatas de grande porte onde o UroLift e o Rezum têm limitações. O procedimento é realizado com sedação ou anestesia raquídea e geralmente requer internação de um dia.
Como é feita a escolha entre Rezum, UroLift e Aquablation
A escolha entre essas três técnicas não é baseada em preferência ou disponibilidade — é orientada por critérios clínicos objetivos avaliados durante a consulta especializada. Os principais fatores considerados incluem o volume prostático e a anatomia glandular — especialmente a presença ou ausência de lóbulo médio —, a gravidade dos sintomas, o perfil de risco anestésico do paciente, o uso de anticoagulação e as preferências do paciente após discussão informada sobre as características de cada abordagem.
Em alguns casos, nenhuma das três técnicas é a mais indicada — e uma abordagem de maior porte como o HoLEP ou a prostatectomia é clinicamente mais adequada. Essa avaliação honesta faz parte da consulta e é o que garante que a decisão seja a certa para aquele caso específico.
Mitos e verdades sobre cirurgias de próstata com preservação ejaculatória
“Toda cirurgia de próstata causa ejaculação retrógrada.” Mito. As técnicas modernas — Rezum, UroLift e Aquablation — têm taxas de ejaculação retrógrada significativamente menores do que as técnicas convencionais, com preservação ejaculatória em grande parte dos pacientes tratados.
“UroLift serve para qualquer próstata.” Mito. O UroLift tem indicação preferencial para próstatas sem lóbulo médio proeminente e de volume compatível com o dispositivo. A avaliação da anatomia glandular por ultrassonografia é parte obrigatória da seleção de candidatos.
“Essas técnicas são menos eficazes do que a cirurgia convencional.” Mito relativo. As três técnicas têm eficácia documentada em estudos clínicos controlados para volumes prostáticos adequados à sua indicação. Em casos selecionados corretamente, a eficácia funcional é comparável às técnicas convencionais — com perfil de preservação sexual favorável.
“A melhora é imediata após qualquer um desses procedimentos.” Depende da técnica. Com o UroLift, a melhora é mais rápida — pois não há destruição tecidual. Com o Rezum e o Aquablation, a melhora ocorre de forma progressiva ao longo de semanas, conforme o tecido tratado é absorvido. Alinhar essa expectativa é parte da consulta.
Quando buscar avaliação para cirurgia de próstata com preservação ejaculatória em São Paulo
A avaliação é indicada para homens com HPB sintomática que têm indicação de intervenção e que valorizam a preservação da ejaculação — seja por desejo de paternidade futura, seja pela qualidade de vida sexual. O atendimento presencial é realizado na Avenida Paulista, 1048, em São Paulo. A telemedicina está disponível para todo o Brasil para a consulta inicial.
Como funciona a consulta com o Dr. Gustavo Fonseca
A consulta inclui avaliação clínica completa, urofluxometria, revisão da ultrassonografia prostática e discussão detalhada das opções — incluindo a comparação entre Rezum, UroLift, Aquablation e as demais técnicas disponíveis, com indicação individualizada para o perfil de cada paciente. O contato para agendamento pode ser feito pelo site ou diretamente com o consultório.
Diferenciais do Dr. Gustavo Fonseca
Realizo os três procedimentos — Rezum, UroLift e Aquablation — com formação específica em cirurgia urológica minimamente invasiva, em andamento no Hospital Sírio-Libanês. Minha formação inclui residência em Urologia no Hospital Ana Costa e pós-graduação em Reprodução Humana pela Santa Casa de SP. Sou membro da SBU e da SBRA. Atendo exclusivamente de forma particular, com tempo real para cada paciente e foco total na qualidade técnica e na segurança de cada procedimento.
A preservação da ejaculação é um critério clínico — não um detalhe
As técnicas modernas de tratamento da HPB transformaram o que era considerado inevitável em algo que pode ser preservado — com eficácia documentada e perfil de segurança favorável. A chave está na indicação correta e na execução por profissional com treinamento específico.
Agende sua consulta presencial em São Paulo, na Avenida Paulista, ou inicie pela telemedicina, de onde você estiver.






















